segunda-feira, 1 de abril de 2013

Reportagem sobre a manipulação da mídia sobre a Síria


Quando se lê acerca de crimes de estado ao longo de muitos anos, é tentador tentar compreender a mentalidade dos líderes políticos. O que se passa realmente nas suas cabeças quando ordenam sanções que matam centenas de milhares de crianças? O que estará nos seus corações quando travam guerras desnecessárias que estilhaçam milhões de vidas? Serão eles desesperadoramente cruéis, descuidadamente estúpidos? Imaginam eles que estão a viver numa espécie de inferno onde atos monstruosos têm de ser cometidos para evitar resultados ainda piores? Serão eles indiferentes, centrados nos seus ganhos políticos e econômicos a curto prazo? Serão eles moralmente resignados, sentindo-se como essencialmente impotentes face a forças políticas e econômicas invencíveis ("Se eu não fizer isto, algum outro o faria".)?

Perguntas semelhantes vêm à mente quando os governos dos EUA e Reino Unidos, mais uma vez, levantam o espectro de "armas de destruição em massa" (ADM) para demonizar um alvo para a "mudança de regime", desta vez na Síria. O que realmente se passa nas mentes de pessoas que sabem exatamente que a mesma trama foi denunciada como uma fraude cínica há apenas uns poucos anos atrás? Será que vêm o público com desprezo? Estarão a rir-se de nós? Estarão a jogar a única carta que consideram disponível para eles; uma carta que sabem que funcionará de modo imperfeito, mas que tem de ser jogada?


Nos EUA, a NBC comentou:

"Responsáveis dos EUA contam-nos que os militares sírios estão prontos esta noite a utilizar armas químicas contra o seu próprio povo. E tudo o que precisariam é a ordem final do presidente sírio, Assad".
O observador dos media estado-unidenses Fairness and Accuracy in Reporting (FAIR) perguntou : "Então de onde vem esta nova informação?" A resposta familiar e agourenta: "De responsáveis anónimos do governo a falarem para jornais como o New York Times ". Isto, por exemplo:
"Responsáveis da inteligência ocidental dizem que estão a colher novos sinais de actividade em sítios na Síria que são utilizados para armazenar armas químicas. Os responsáveis estão incertos sobre se as forças sírias podem estar a preparar-se para utilizar as armas num esforço final para salvar o governo ou simplesmente a enviar uma advertência ao Ocidente acerca das implicações de proporcionar mais ajuda aos rebeldes sírios.




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